Capitalização da Petrobras I – atualização 26/08

Posted on 26/08/2010. Filed under: Finanças |

Há novidades no front, indicando que o barril do petróleo poderá ser avaliado em US$ 8,00.

Clique aqui para ler.

O tamanho da capitalização

O governo poderá vender até 5 bilhões de barris a US$ 8 cada. Isso significa que o acionista que tem 32% da Petrobras poderia aportar R$ 70 bilhões, fazendo com que os outros 68% precisem aportar R$ 148 bilhões.

Ao preço de mercado atual, em R$ 260 bi, significaria um aumento de 83,8% no número de ações da companhia.

Na hipótese de TODOS APORTAREM, entraria no caixa da Petrobras uma quantia fabulosa. E seu patrimônio líquido iria para algo como R$ 380 bilhões, deixando muito espaço para tomar dívida.

Supondo que o preço das ações não caia, se mantenha nos valores atuais, a empresa passaria a valer R$ 478 bilhões, algo como US$ 274 bilhões. Isso significa que a empresa se tornaria a segunda maior do mundo, perdendo apenas para Exxon Mobil (de pouco) e à frente da PetroChina. Veja aqui.

Petrobras x Exxon Mobil

A Petrobras valer quase o mesmo que a Exxon Mobil é uma situação um pouco delicada.

Se pegarmos o resultado da Exxon em 2008, melhor momento para as empresas de petróleo, a receita em dólares era de US$ 447 bilhões e o lucro de US$ 45,2 bilhões. A receita da Petrobras, no mesmo ano, era de US$ 93 bilhões e o lucro de US$ 15,5 bilhões. Sempre em USGAAP, fonte Yahoo Finance. Ver aqui.

No último trimestre os lucros ficaram mais próximos, apesar da receita ser 3 vezes menor. Receita de US$ 92 bi da Exxon contra US$ 30 bi da Petrobras. Lucro de US$ 7,6 bi da Exxon contra US$ 4,7 bi. Esses valores são estimados, para o dólar a R$ 1,75. Não há dados trimestrais sobre a Petrobras no Yahoo Finance.

O P/L da Petrobras e a tese do Prof. Robert Shiller, da Universidade de Yale.

A Petrobras ficaria com um P/L alto, porém não exageradamente alto. Hoje está bem baixinho o múltiplo, P/L médio (ON e PN) é pouco maior que 8,27. Supondo um aumento de 83,8% no número de ações, esse P/L iria para algo como 15. A Exxon tem P/L pouco maior que 11, assim como a PetroChina.

No artigo “Valuation Rations and the Long-Run Stock Market Outlook“, Shiller demonstra que, para um período que vai do ano de 1872 ao ano de 1997, os índices P/L acabavam voltando para sua média, AJUSTADOS pelo Preço e não pelo Lucro.

Em outras palavras, a evidência estatística indica que é muito mais comum o preço cair, quando o P/L está muito alto, buscando as médias históricas do múltiplo, do que o lucro subir fortemente para derrubar esse P/L até sua média.

A considerar o estudo do prof. Shiller, Ph.D. em economia pelo MIT, é muito mais provável que o ajuste, no longo prazo, se dê pelo preço do que pelo lucro.

Isso já ocorreu com a Petrobras, quando o pré-sal era a vedete dos mercados. A ação ON, PETR3, chegou a uma máxima (ajustada a proventos) de R$ 57,72 em 2008, com P/L de 15,4.

Otimismo x Conservadorismo x Pessimismo

Por mais estranho que possa parecer, o cenário otimista é aquele em que a capitalização dá certo e que a empresa consiga manter os preços atuais.

Quer otimismo maior do que valer mais do que a PetroChina e quase o mesmo que a Exxon Mobil? Mesmo faturando 1/3 do que a Exxon fatura?

Seria sensacional.

Conservadoramente seria razoável pensar na Petrobras com um P/L igual ao da Exxon, algo como 11 a 12. Indicando que a ação poderia se acomodar, no médio prazo, a 80% do valor atual. Naturalmente, considerando que a capitalização tenha sucesso.

O cenário pessimista

Bom, aí envolve o insucesso da operação de capitalização. É uma tremenda incógnita. Se os acionistas minoritários não conseguirem acompanhar o governo, as ações iriam ao mercado.

Imaginem, por hipótese, uma oferta pública de R$ 100 bilhões. O Maior IPO da história foi do Agricultural Bank of China, num total de US$ 22,1 bi, algo como R$ 38,6 bi.

Pergunta-se: quanto o mercado estaria disposto a investir?

Depende… Sempre depende… do preço!

Qual seria o preço definido no bookbuilding de uma oferta tão grande?

Demanda x Oferta, eis a resposta.

Há solução!

Há um caminho que, a meu ver, pode funcionar bem para o governo e para a Petrobras. Reduzir MUITO o tamanho da capitalização. O Governo pode fazer isso, basta vender bem menos do que 5 bilhões de barris.

Um aumento de capital onde o minoritário tenha que entrar com 30% a 35% de capital novo pode permitir maior participação dos atuais acionistas.

O percentual de aumento de capital da BRFoods foi superior a esse. E foi muito bem sucedido, com boa participação de minoritários.

Daí, em 2 ou 3 anos, faz-se nova chamada de capital, talvez em condições bem melhores.

E se atrasar de novo?

É outro cenário otimista para os acionistas no curto prazo. A empresa já tem múltiplos bem mais modestos que seus pares. É possível que as ações estejam penalizadas, em grande parte, pela pressão do aumento de capital e possibilidade de diluição dos minoritários.

Sendo bastante pragmático. É mais provável a ação disparar se a capitalização for adiada para 2011 do que se for um grande sucesso.

É mais fácil disparar com P/L 8 do que com P/L 15.

Naturalmente, se considerarmos que o professor Robert Shiller aprendeu alguma estatística no MIT…

Aquele institutozinho quase desconhecido de Massachussets…

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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