Quick Update – Randon x Marcopolo

Posted on 13/08/2010. Filed under: Finanças |

Relatórios completos nos links a seguir

Release de resultados Marcopolo 2T10

Release de resultados Randon 2T10

Quick Update

Introdução

A decisão de fazer uma avaliação conjunta dos resultados da Randon (RAPT) e da Marcopolo (POMO) se justifica pelo seguinte:

– São sensíveis a alguns fatores de crescimento em comum, tais como: melhoria das estradas, crédito governamental, crescimento do país etc.
– Estão em descompasso no que se refere a ritmo de crescimento e múltiplos de mercado.
– Apresentam algumas diferenças na percepção de risco.

As duas companhias apresentaram resultados excepcionais, com vantagem para a POMO cuja base de comparação já era forte, pois perdeu pouco no ano de 2009. A base de comparação dos fundamentos da RAPT é muito fraca, pois as perdas em 2009 foram expressivas.

O que ficou curioso na avaliação das duas companhias é que a RAPT subiu 0,6% entre janeiro e junho de 2010 e a POMO subiu 127%, e ainda assim os múltiplos da segunda ainda são mais confortáveis do que os do primeira. Isso merece uma investigação aprofundada.

Independente dos comentários aqui expostos, é fundamental a leitura dos releases, que são simples, diretos e “individual investor friendly“.

A diferença entre os múltiplos das companhias

POMO 2005 2006 2007 2008 2009 2010
LPA 0,36 0,54 0,58 0,60 0,61 1,07
Últ. cotação 2,32 4,95 6,26 2,97 6,67 9,80
P/L 6,44 9,17 10,79 4,95 10,93 9,16
RAPT 2005 2006 2007 2008 2009 2010
LPA 0,49 0,55 0,71 0,95 0,57 0,71
Últ. cotação 4,38 5,68 10,42 3,91 10,22 11,27
P/L 8,94 10,33 14,68 4,12 17,93 15,87

É consenso no mercado que os múltiplos P/L guardam forte correlação com a expectativa de crescimento das companhias.

Growth stocks (ações de crescimento) costumam ter P/L mais elevado, dadas as expectativas superiores para os fundamentos.

Em princípio, pelo histórico recente das duas companhias, a Randon deve ser considerada pelos analistas e pelos investidores, uma empresa com mais capacidade de crescimento, basta ver os P/L quase sempre mais elevados (exceto em 2008).

Mas a leitura dos releases não dá essa impressão.

Subsídios governamentais

A Randon ressalta explicitamente que as renúncias fiscais e as taxas subsidiadas para caminhões, ônibus e veículos rebocados terminarão em dezembro de 2010.

O impacto pode ser bastante severo, mas também pode indicar uma corrida aos investimentos antes da virada de ano, o que traria bons resultados até o final de 2010.

Os juros que o BNDES cobra são impressionantes, 4,5% ao ano para compra desses veículos.

Como já vimos em vários outros balanços, essa taxa e outras também subsidiadas (TJLP), estão presentes nos empréstimos de quase todas as empresas industriais e comerciais com ações em bolsa.

Isso gera um efeito muito positivo no curto prazo, mas é claramente insustentável no médio prazo. Ninguém consegue comprar a “10,75%” e vender a “4,5%” por muito tempo.

Vai acabar. Por bem ou por mal.

Ambas poderão sofrer impacto significativo nas vendas, ao final dos subsídios.

Mercado Externo

Uma eventual desaceleração no mercado interno poderia ser compensada com elevação no mercado externo, tanto em vendas para emergentes quanto para desenvolvidos, quando retomarem o crescimento.

A Randon tem perto de 8% de sua receita vinda do exterior, a Marcopolo 30%. Ambas ainda não recuperaram as vendas para o mercado externo, mas esse item faz mais diferença para a POMO do que para a RAPT.

A POMO tem projetos grandes em vários países, com especial atenção para a Índia que foi responsável por mais de 60% das vendas no exterior.

Receitas com peças e outros

Outro item que pode ajudar numa eventual desaceleração do mercado interno é a receita com autopeças, pois quando não se compra novo, se conserta mais.

Nesse item a vantagem da Randon é ampla. De suas receitas totais, 50,68% é fruto do negócios de autopeças, para a POMO esse número cai para 9,1%.

Ajustes nos lucros

A Randon não apresentou efeitos não recorrentes relevantes no lucro, mas a POMO sim. E grandes.

Do lucro (em IFRS) de R$ 148 milhões há pelo menos 21 milhões em receitas não recorrentes (sendo 14 milhôes de um ganho judicial) e 28 milhões de resultado financeiro, boa parte proveniente de ajustes cambiais.

Mesmo retirando esses dois itens, o lucro de R$ 100 milhões significa um recorde para o período e, somado ao semestre anterior deixaria a POMO hoje com P/L próximo a 11.

Nas notas explicativas a administração afirma que toda sua posição em derivativos é destinada a HEDGE e não para especulação. Realmente não há disparidades entre as posições de forward e os recebíveis líquidos da companhia, em moeda estrangeira.

Guidances – projeções da própria empresa

Ambas divulgam guidances, que foram revisados para cima nesse semestre.

POMO

– Receita líquida consolidada 2010 – R$ 2,8 bi

A margem líquida da POMO foi de 10,5% (considerando ganhos extraordinários).
Se se mantiver nesse patamar o lucro líquido poderia ser de R$ 294 milhões, 116% maior que o recorde de 2009.
Obs: A POMO já afirmou que haverá pequena queda nas margens, por pressão de custos.

Randon

– Receita líquida consolidada 2010 – R$ 3,4 bi

A margem líquida da Randon foi de 6,1%.
Se se mantiver nesse patamar o lucro líquido poderia ser de R$ 207 milhões, 10% inferior ao recorde em 2008.

Talvez essa seja e explicação para uma ação ter subido 127% e a outra apenas 0,68%.

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  • Disclaimer

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    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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