Usiminas – Comentários sobre o resultado do 2T10 – Clube Stratocaster

Posted on 29/07/2010. Filed under: Finanças |

Link para o relatório do 2T10:
http://www.usiminas.com/irj/servlet/prt/portal/prtroot/pcd!3aportal_content!2fusiminas!2fcomum!2fconteudo!2fiviews!2fbr.com.su.i.iview.JAI_iView_Publica_do_KM/prtl_doc/corporativo/Resultados/resultados.pdf

2008, 2009… 2010

Com o Perdão da brincadeira, comparar os resultados da Usiminas nos 3 anos acima, é como comparar o Flamengo de hoje, com o de Maurinho, Fernando e Felipe Melo (é, nós já tivemos essa joça) e com o de Zico, Júnior, Leandro e Cia…

O de hoje é muito superior ao “esquadrão” de 2002, mas não engraxa a bota do time de 1979-1983;

Os resultados de 2010 para a Usiminas são muito superiores aos verificados em 2009, porém perdem de “goleada” para o excepcional ano de 2008.

Esse padrão deve se repetir nos resultados das empresas de commodities e de bens de capital aqui no Brasil.

Vejam a comparação dos lucros por ação:

  • LPA 2008: R$ 6,36
  • LPA 2009: R$ 2,65
  • LPA 2010 (acumulado últimos 12m): R$ 3,49

Isso faz com que a Usiminas, mesmo no auge de seu preço ajustado em 2008 (R$ 86,42) estivesse mais “barata”, em termos de Preço/Lucro, do que hoje, vejam:

  • No auge: R$ 86,42/6,36 = 13,6
  • Hoje: R$ 53,50/3,49 = 15,32

Recuperação nas vendas, mas não nos preços

O volume de vendas da Usiminas atingiu pouco mais de 1,8 milhão de toneladas, resultado próximo ao verificado no 1T08 e 10% abaixo do recorde do 3T07.

A queda expressiva nas receitas (de R$ 15,7 bi em 2008 para algo como R$ 11 bi no acumulado de hoje), deve-se primordialmente à queda nos preços do aço.

Enquanto no 4T08 os 3 principais produtos da empresa, chapas grossas, laminados a quente e laminados a frio, eram vendidos R$ 2.993/ton, R$ 2.202/ton e R$ 2.391/ton respectivamente, no 2T10 atingiram R$ 1.631, R$ 1.683 e R$ 1.919.

A empresa também indicou um forte crescimento nos custos, por força da elevação de mais de 100% no minério de ferro. Alertou também que espera nova elevação no insumo e também no carvão.

Para fazer frente, deverá elevar os preços em breve.

Mudança de estratégia, maior endividamento

A Usiminas continua com um nível de endividamento de baixo a moderado. Entretanto, há uma mudança significativa na dívida líquida, que era negativa no 4T07 e fechou em R$ 4,1 bi no 2T10.

Em termos de Dívida líquida / fluxo de caixa, os números melhoraram em relação ao 4T09, principalmente pela melhoria nas vendas.

Aquecimento do mercado interno é sustentável?

Os analistas internacionais entendem que a recuperação nos países desenvolvidos será lenta. O volume de endividamento das nações e o alto desemprego não permitem uma visão muito otimista para os próximos 2-3 anos.

Aliás, há mais riscos iminentes do que soluções de curto prazo.

O mercado interno brasileiro vem batendo recordes nos últimos meses, com base em um grande incremento no volume de investimentos e de crédito, principalmente por parte do governo, BNDES e bancos estatais.

O crédito imobiliário disparou no último trimestre.

A estratégia do governo, em minha modesta visão, é louvável e trouxe resultados durante a crise e mesmo após a mesma. Mas é claramente insustentável.

Até poderia ser sustentável se o mundo se recuperasse MUITO mais rápido e o volume de exportações voltasse a crescer fortemente. Isso faria o governo receber muito mais em impostos e em dólares, financiando o maior déficit externo desde 1963.

O que está ocorrendo é a distribuição de crédito subsidiado em volumes impressionantes. O governo empresta, através do BNDES, do BB e agora da Caixa, a juros muito mais baixos (6,5% a 8% ao ano) do que consegue captar no mercado (10,75% ao ano).

Isso é lindo, pode até dar certo no curto prazo, mas no longo prazo é insustentável. Em algum momento vai ter que parar. É como comprar por R$ 200,00 e vender por R$ 100,00

Essa diferença significa que o governo perde de 2% a 4% (sem considerar os custos e a volta do IR) para cada empréstimo que faz.

Se empresta 400 bi, significa que pagará A MAIS de juros, 8 bi a 16 bi por ano. Com recordes de arrecadação é mole, com queda…

Pode ser só o efeito da eleição. Talvez o novo governo, seja ele qual for, já saiba que vai precisar desarmar essa bomba.

Só há uma forma de desarmar isso sem impactar demais a capacidade do governo de investir… seria a redução significativa nos juros…

Infelizmente não há político com “peito” suficiente para mexer nesse vespeiro que é a renda fixa do país.

Lula até poderia, do alto de seus 145% de aprovação, mas não o fez. Mexer na poupança e reduzir o ganho dos rentistas do país traria danos à sua imagem. Talvez caísse para 123% de aprovação.

Pena que não tenha corrigido esse mal, que faz com que o Brasil não consiga ter juros menores do que 8% ao ano.

O que esperar da Usiminas?

O resultado foi positivo e os planos de investimento foram mantidos. Há boas perspectivas, mas não é possível afirmar que aquele lucro de mais de R$ 6,00 por ação esteja num horizonte próximo.

Pelo histórico de P/L da Usiminas, os patamares atuais estão bem acima das médias. Eu ficaria mais surpreso se a ação disparasse a R$ 70,00 ou R$ 75,00, do que se caísse a R$ 40,00 ou R$ 35,00. Isso a deixaria dentro das médias históricas de P/L.

Em resumo: Tá tudo normal, sem surpresas positivas ou negativas.

Ps.
Como curiosidade a respeito da pior fase do Flamengo nos últimos 30 anos. Em março de 2002 o Flamengo foi escalado com o seguinte time: Zé Romario, Isael, Anderson Luiz, Edson, Alessandro, André Gomes, Fabiano Cabral, Carlinhos, Agnaldo, Edmilson e Espíndola.

Só faltou Tangerina, Espoleta e Tião Pedrada. Jesus nos livre disso!!! Época de Edmundo Santos Silva…

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2 Respostas to “Usiminas – Comentários sobre o resultado do 2T10 – Clube Stratocaster”

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Muito bacana a análise. Apenas, me ficam algumas pulgas detrás da orelha:

1) USIM5 esta a -90% da sua máxima.
2) IBOV esta apenas a -7% da sua máxima.
3) CSNA3 esta apenas -45% da sua máxima.
4) GGBR4 esta apenas a -55% da sua máxima.
5) O preço do aço esta a -55% da sua máxima.
6) A produção do aço no país, o consumo aparente e o consumo per cápita, estão aprox nos mesmos níveis de 2008.
7) O preço do minério e do carvão não aumentaram tanto assim comparando 2008 x 2010.
8) Houve recorde de vendas de automóveis e linha branca graças à redução do IPI.

Neste contexto, como se explica que faltam ainda aprox +90% para USIM5 voltar a tocar sua máxima de R$94,60?

Todas as análises que leio tendem a procurar explicações “fora da Usiminas”… como se “internamente” na Usiminas tudo estivesse perfeito, e tudo fosse apenas um problema de mercado.

Sendo que todos (IBOV, CSNA3, GGBR4, preço do aço, produção, consumo etc) performaram melhor do que Usiminas, é obvio que devem existir outras razões internas da Usiminas, para explicar semelhante GAP.

Ouvi dizer que do pré-sal, Usiminas vai pegar menos do que 40% dos contratos da Transpetro, que segundo afirmam, Usiminas perdeu por bobear.

Ouvi dizer também que Usiminas perdeu share de vendas interno (perdeu exclusividade de contratos, clientes para CSN etc). O que você opina?

Também ouvi dizer que há muitas brigas internas entre áreas e funcionários da Usiminas. Tenho testemunhado fortes brigas e acusações na internet. Muitas inclusive afirmam que há negligência, incompetência, custos altos etc. Alguma coisa que você possa comentar?

Também fiquei sabendo que funcionárias estão processando Diretores por acoso sexual. Você pode comentar?

A perda de share, as brigas internas, os processos das funcionárias etc… tudo isso não indica problemas internos na Usiminas? Para mim isso fala em péssima gestão, e seguramente em aumento dos custos e quedas das margens. O que você opina?

Muito obrigado pelo seu tempo e atenção e parabéns pelo blog!

Caro Arkho,

Agradeço pelas palavras elogiosas ao blog.

Quanto aos conflitos internos na USIM, infelizmente não tenho conhecimento suficiente para poder opinar.

Sei que a USIM havia proposto uma mudança, com a saída da VALE, no sentido de ser mais agressiva e mais alavancada.

Perceba que o endividamento líquido, que era negativo, está bem elevado, superior a 1xEBITDA.

Pela minha experiência, quando há mudanças significativas no modelo de gestão, principalmente com foco nos resultados e postura mais “agressiva”, os funcionários mais antigos sentem bastante.

É o tradicional conflito de culturas nas organizações, amplificado pela tradicional resistência à mudança. É possível que boa parte desses problemas seja fruto dessas mudanças.

Com relação ao investimento em Usiminas. Nosso clube prefere investimento em empresas com crescimento sólido dos lucros e das vendas E que não estejam com múltiplos muito elevados.

A USIM tem um histórico de lucro bastante irregular nos últimos 5 anos. Pelo Método INI (que utilizamos) ela compensaria apenas se tivesse um múltiplo P/L inferior a 10, o que indicaria um preço na ordem de R$ 37,00.

Nesse patamar acharíamos confortável comprar. Mas os analistas, em sua maioria, indicam USIM a valores superiores a 60 reais.


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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