Clube Stratocaster – Comentários sobre a Randon (RAPT4)

Posted on 08/07/2010. Filed under: Finanças |

Resultados da Randon e comentários.

Caros cotistas,

O Clube de Investimentos Stratocaster tem aproximadamente 12% de seu patrimônio em ações da Randon, companhia que apresentou um dos melhores resultados em bolsa nos últimos 18 meses.

A seguir comentários sobre os resultados da empresa.

Antes, relembrem o que é a Randon (extraído do site):

A Randon S.A. Implementos e Participações é uma holding mista, líder de um conjunto de nove empresas operacionais que atuam nas áreas de implementos rodoviários/vagões ferroviários/veículos especiais, autopeças/sistemas automotivos e serviços. Todas são líderes nacionais de mercado nos segmentos em que atuam, referências em tecnologia e qualidade no Brasil e exterior e importantes players no mercado globalizado. Exportam para mais de uma centena de países e contam com uma Rede Internacional de Vendas e Serviços.

Há 60 anos a Randon vem fabricando diferentes tipos de equipamentos rodoviários entre carrocerias, reboques e semirreboques e, desde 1998, investiu no desenvolvimento da área ferroviária com o lançamento Transtrailer. Desde então, produz vagões ferroviários de carga dos tipos hopper, gôndola, tanque, carga geral, plataforma, entre outros.

Considerações sobre os resultados do 1T10 e de 2009

A Randon vinha de um ano excepcional (2008), onde obteve um lucro por ação de R$ 0,95 e uma receita de R$ 3,059 bilhões.

A cotação máxima naquele ano (já considerando a bonificação e proventos) foi de R$ 12,23, o que indicaria um P/L de 12,8, em linha com a média brasileira e bastante razoável para uma empresa com o histórico de crescimento da Randon.

A empresa foi atingida em cheio pela recessão de 2009, principalmente por depender MUITO (80%) do crescimento e do investimento aqui no Brasil. Sua receita acumulada caiu de R$ 3 bi para R$ 2,47 bi ao final de 2009. Seu lucro por ação foi a R$ 0,57, próximo ao verificado em 2006.

A cotação máxima ajustada em 2009 foi de 10,59, indicando um P/L de 18, porém foi possível comprar por MUITO TEMPO Randon a valores ajustados próximos a R$ 3,50, o que estaria indicando um P/L bastante interessante, menor do que 7.

A leitura do release de resultados da Randon para o 1T10 indica que a recuperação está muito forte, mas os resultados ainda são inferiores aos observados no 1T08.

http://www.mzweb.com.br/randon/web/arquivos/randon_1T2010_Release_Resultados_20101005_pt.pdf

Pode ser que a Randon ainda não consiga, em 2010, retomar o desempenho de 2008 (R$ 0,95 de LPA e margens mais altas).

Aliás, no guidance para 2010 (publicação de estimativas) que a Randon enviou no final de 2009 já havia a previsão de que a Receita Líquida Consolidada seria levemente inferior à verificada em 2008 (R$ 2,8 bi contra R$ 3,059 bi)

Fatores de crescimento para a Randon

O valor de mercado da empresa, somando ações ON (R$ 8,55) e PN (R$ 10,67) está em R$ 2,4 bi. O lucro acumulado nos últimos quatro trimestres está próximo a R$ 155 milhões, o que dá um P/L atual de 15,5, mais alto do que a média brasileira, porém calculado com os lucros deprimidos de 2009.

Supondo ser possível retornar ao LPA de 2008 (R$ 231 mi), isso indicaria um P/L a valores de hoje, pouco maior do que 10. Número bastante interessante para empresas de crescimento.

O que faz a Randon crescer?

  • Crescimento sustentável da economia brasileira
  • Crédito farto para compra de caminhões, vagões e peças
  • Crescimento da carga transportada
  • Investimento em melhorias nas estradas brasileiras
  • Dólar comportado, preferencialmente em valores mais altos
  • Retomada do crescimento no mundo
  • Habilidade da administração
  • Abertura de novos mercados no exterior

Todos os elementos se verificam até o presente momento (julho de 2010).

Para que a Randon continue seu brilhante histórico de resultados e crescimento, será muito importante que não haja turbulências nesses fatores.

As previsões dos analistas e do boletim do BC dão conta de crescimento acima de 7% neste ano e em torno de 3,5% a 4% para os próximos. Talvez o mercado exterior demore um pouco mais para retomar o crescimento.

É possível que, com déficits em conta corrente, o dólar apresente apreciação comportada. Seria interessante para muitas exportadoras brasileiras. A valorização prevista para o YUAN deve ajudar.

Os investimentos em estradas não devem parar. Dependendo do próximo presidente poderá sofrer ajustes nos modelos, mas não é possível continuar com o gargalo de infra-estrutura que o país tem.

A habilidade da administração tem garantido bons anos à Randon e o desempenho em 2009, ano de pesadas perdas, pode ser considerado muito bom. Enquanto outras companhias tiverem pesados prejuízos, a Randon manteve lucro em todos os trimestres.

O endividamento líquido da companhia é conservador (76% da geração de caixa anual, mesmo num ano de queda).

Mas a questão do crédito é muito delicada.

O crédito dado a investimentos tem sido fartamente subsidiado. O governo capta dinheiro via Tesouro Nacional (10,25% ao ano), repassa ao BNDES que empresta a TJLP + x% (algo como 8% ao ano). E é uma operação invisível no curto prazo, pois não aumenta a dívida líquida do país (o governo capta R$ X a 10,25% e empresta R$ X a 8%).

Naturalmente essa operação não é sustentável no longo prazo. Será necessária uma redução nos juros para que a TJLP se mantenha em patamares mais baixos.

É coisa para o próximo governo, seja qual for.

Randon ON x PN, algumas considerações.

Em novembro do ano passado a Randon publicou um fato relevante indicando que a controladora DRAMD (78% das ON) entrou em negociação com a PREVI (10% das ON) para uma troca de ações ON por ações PN.

http://www.mzweb.com.br/randon/web/conteudo_pt.asp?idioma=0&tipo=12949&conta=28&id=76855

O objetivo CLARO era tirar de circulação as ON. Em janeiro fizeram um contrato na seguinte condição: Para cada ação PN dada em troca pela DRAMD, a PREVI daria 1,15 ação ON.

Ao preço de hoje isso significaria que que a ON deveria estar a R$ 9,20 (Está em R$ 8,55) OU a PN deveria estar a R$ 9,83 (está em R$ 10,60).

São diferenças pouco significativas. Não há arbitragem a fazer.

Supondo que as condições acertadas entre DRAMD e PREVI forem estendidas a todo o mercado, é bom ficar de olho em eventuais desequilíbrios nos preços das ações ON e PN.

Se o motivo de recolher TODAS as ON for colocar a empresa no Novo Mercado (maior grau de governança corporativa), é possível que a RANDON tenha ainda mais flexibilidade para obter capital e investir.

Porém, não há qualquer indicação segura de que o motivo é esse.

Por fim

Naturalmente a RANDON não está figurando em nossas compras dos últimos 2 meses, pois disparou após os resultados e após a bonificação. Foi um “hit” de compra no primeiro semestre de 2009, quando apresentou preços incrivelmente baixos, mas em 2010 já atingiu um certo grau de “normalidade”.

Porém a empresa também não atingiu múltiplos proibitivos, que nos façam pensar em vender toda a posição.

That´s all!

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8 Respostas to “Clube Stratocaster – Comentários sobre a Randon (RAPT4)”

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foi muito bom o projeto que vcs ea calles fizeram

estão de parabens

Obrigado Daniel.

Ok…

Desculpe insistir nesse assunto, mas quero entender bem pra evitar surpresas. Não estou com seu livro aqui, mas vou olhar com calma depois…

Quando vc diz que tag along é a chave, é que sempre devo considerá-lo acima de outros critérios certo?

Tenho em carteira COCE5 e GETI4, sendo que a Coelce inclusive já foi alvo de especulações envolvendo a sua venda.

Ambas não possuem tag along, pelo menos no site da bovespa, mas ouvi dizer que por lei as ON devem possuir tag along de 80% no mínimo.

Sendo assim, entendo que nestes casos é bem mais prudente eu me posicionar nas ON, mesmo tendo uma liquidez reduzida?

Abraço,

P.S.: Sobre a Sadia, ela não tinha tag along de 80% para as 2 classes na época? Por que houve essa diferença tão grande?

É isso aí Fabiano, tag along acima de tudo.

A Sadia tinha Tag Along para as duas classes, por isso a Família Furlan e outras receberam R$ 7,00 e nós recebemos R$ 5,60.
Na Aracruz os detentores de ON (pouquíssimas pessoas físicas) conseguiram 80% do que foi pago às famílias Moreira Salles, Almeida Braga, Safra e Lorentzen. Mas os detentores de PN amargaram um prejuízo de mais de 85%, ficando com uma relação de troca desfavorável com as PN da VCP. Coisa de R$ 2,00.

A diferença grande foi na ARacruz, que não tinha tag along para as PN.

Pela lei as ON precisam garantir 80% do que for pago pelo controle.

Olá Portinho, tudo tranquilo?

Qual o por quê de precificarem a diferença entre as ações ON e PN em 15%?

Não deveriam ter o mesmo “peso”?

Normalmente eu verifico se existem diferenças no dividendo pago, na cláusula de tag along ou liquidez, de forma que pudesse determinar uma diferenciação entre elas. Neste caso, o que eles podem estar considerando para avaliar dessa forma?

Abraço
Fabiano

Oi Fabiano,

Esse negócio entre a controladora e o fundo de pensão foi privado, acertado entre eles. Como a liquidez da RAPT3 é baixíssimo, não é interessante para o fundo. Trocar tantas ações assim de uma hora para outra, praticamente a preço de mercado foi um grande negócio.
No caso da Randon, assim como no caso de Itaú e Bradesco, as ações ON tem uma liquidez muito baixa, talvez seja por isso que sejam muito mais baratas. Acho que para Itaú e Bradesco chega a mais de 20% de diferença.

Realmente, a diferença do Bradesco e Itaú chega a mais de 20%. No caso do Bradesco até dá pra entender pois há diferença no pagamento de dividendos, mas já no caso do Itaú não, os valores de dividendos pagos tem sido iguais. Quanto à liquidez, seria ruim apenas à grandes investidores, mas para os pequenos até que não é muito ruim, hoje mesmo teve 185 negócios, girando quase 4 mi em ITUB3.

Minha preocupação é: visando uma carteira de longo prazo, e uma possível venda de controle por exemplo, o que é mais seguro, ter as ordinárias?

Em relação ao tag along do Bradesco, ele tem 100% para ON e 80% para PN. Mesmo pagando 10% a menos de dividendos, as ONs seriam melhores neste caso (mais seguras), além de estarem “mais baratas” que as PNs?

Obrigado

Oi Fabiano,
Essas duas empresas não apresentam risco de take over. Dificilmente alguém compraria um banco desse tamanho. Aliás, dificilmente alguém VENDERIA um banco brasileiro.
O tag along é a chave. Lembre do que aconteceu com a Sadia e a Aracruz. Sem tag along a diferença entre ON e PN foi de mais de 1000% (R$ 21,25 para R$ 2). Com tag along (Sadia) os controladores receberam R$ 7,00 e nós recebemos R$ 5,60, ou o equivalente em ações da BRFS.
Já tive Itaú ON e não gostei. Muito pouca liquidez. BBDC3 é interessante, mais fácil de vender e já aconteceu de estar mais cara do que a PN. O motivo… não sei…
Leia o capítulo do 25 episódios que trata do assunto, dá uma boa idéia.


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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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