O fim do Euro? A Governança Global posta em xeque.

Posted on 19/05/2010. Filed under: Finanças, Política |

 

A crise européia, que veio substituir o subprime norte-americano no noticiário econômico, é um dos mais didáticos contrapontos à idéia de governança global surgidos nos últimos 20 anos.

Só perde em intensidade e conteúdo pedagógico para o fim da guerra fria, com o golpe (quase) mortal nas linhas de pensamento do comunismo internacional.

A idéia de um dirigismo planetário, de um consenso moral e comportamental e de uma integração crescente das nações é uma anomalia mecanicista, que, naturalmente, conspira contra a organicidade da interação entre indivíduos.

Conceder superioridade ao coletivo, sobre o indivíduo, é uma idéia tão linda, generosa e bucólica, quanto antinatural, reducionista e desumana.

Por sorte, cedo ou tarde, esse mecanicismo perde. Entretanto, quanto mais demorada a derrota, maiores as violações à condição humana

Raro didatismo

É pouco comum que haja colapsos estruturais que revelem tão cruelmente os erros dos governos.

No caso europeu a fratura está exposta e os membros quebrados, em avançado estado de putrefação econômica.

Enquanto países mais organizados e disciplinados conseguiram manter alguma sanidade em suas contas públicas, a Grécia, membro mais deteriorado, conseguiu proezas dignas do Zimbábue.

115% do PIB em dívidas, 13,6% do PIB em déficit. São números clássicos de bancarrota.

Curando um problema circulatório apertando o torniquete

Para um país livre, que tem domínio total de sua política econômica, fiscal e monetária, uma das respostas orgânicas seria ajustar o poder de compra da moeda nacional.

É uma resposta lógica, sistêmica e correta. Países perdulários e irresponsáveis economicamente devem perder poder de comprar relativo entre as outras nações.

Os déficits gêmeos de Bush fizeram o dólar norte-americano sair de uma relação de US$1,00/R$3,53 (2002), para uma relação de US$1,00/R$1,56 (junho de 2008). Para o Euro a perda também foi elevada, de US$ 0,80 para US$ 1,50.

Essa resposta econômica não pode ser aplicada na Grécia, pois o país compartilha a mesma moeda com outras nações da zona do Euro.

A questão é: sem poder mexer na moeda, quanto tempo durará a agonia do Estado grego?

Simples. Durará até o momento em que as contas públicas gregas atingirem patamares racionais e aceitáveis para os outros países.

A dúvida que ainda fica é: sem qualquer poder sobre a política monetária, e com reduzidíssimas possibilidades na política fiscal, pois o país está devendo mais do que produz e, a cada ano, amplia essa dívida em 13,6%, por quanto tempo a Grécia vai suportar o remédio forçado pela união européia?

Ao que tudo indica, o povo grego não quer esperar uma década para ver se as coisas se ajustam.

O FMI e a União Européia

Durante décadas o FMI foi o alvo predileto dos movimentos de esquerda dos países em desenvolvimento.

Alegavam que o organismo internacional fazia exigências inaceitáveis ao emprestar dinheiro às nações. O receituário de disciplina fiscal e câmbio livre era interpretado como ingerência indevida na soberania dos países.

Curiosamente a atuação da União Européia, com imposições muito mais severas e diretivas aos seus membros, não recebe o mesmo tratamento.

É um receituário idêntico, mas muito mais severo na dose. A soberania grega, assim como a de qualquer país europeu, NÃO EXISTE MAIS.

Porém, o FMI é um organismo capitalista. A governança global é um sonho socialista, comunista, Fabiano.

A prova do anacronismo

Por extensão, é possível deduzir que o tucano também é contra a substituição do Mercosul pela Unasul, que pretende criar, nos próximos 15 anos, uma dinâmica econômica, política e social próxima à da União Europeia na América Latina moeda única, conselho de segurança regional, livre trânsito de pessoas, cooperação em investimentos de infraestrutura e gradual eliminação de tarifas para exportações e importações entre os países do bloco.

O texto acima é um extrato DIRETO do blog do ex-deputado José Dirceu, influente membro da esquerda brasileira. Esse texto foi escrito em 07 de maio de 2010, período em que o povo grego estava nas ruas protestando CONTRA as imposições feitas pela União Européia.

Fica difícil entender o que leva alguém a escrever algo tão desprovido de análise contemporânea. Parece que não lê qualquer jornal. Talvez não leia mesmo.

Fica o alerta ao Brasil

Não há qualquer garantia de que o Euro sobreviverá à crise fiscal de alguns de seus países membros. A necrose na economia grega ainda consegue ser contida, à custa do endividamento de outras nações mais ricas. Se, entretanto, a necrose começar a vir de Espanha, Portugal, Irlanda e Itália, como se prevê, não há muito que fazer.

Basta uma decisão soberana do parlamento alemão ou francês para que a experiência de economia com planejamento central seja abruptamente encerrada. Com dores de cabeça para toda economia mundial.

É importante que o Brasil saiba ler as lições do quadro apresentado acima.

O país já tem suficientes diferenças econômicas, culturais e sociais entre seus próprios entes federados. Não fará qualquer sentido ter que lidar com as diferenças econômicas, culturais e sociais da Argentina, Paraguai, Venezuela, Bolívia, Equador etc.

O texto do ex-deputado, a ação do Itamaraty e as declarações do presidente da república não deixam qualquer dúvida quanto aos objetivos de nossa diplomacia.

Todo cuidado é pouco…

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6 Respostas to “O fim do Euro? A Governança Global posta em xeque.”

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Fazer uma so moeda na america latina e loucura.Sera o mesmo erro que foi cometido na europa.

Concordo. Aqui ainda seria pior.

Might be this blogs best blog post to date…

Youre truly right with this piece..

What a really fun piece of writing


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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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