Diplomacia no pindorama…

Posted on 19/02/2009. Filed under: Finanças, Humor, Política |

Está cada vez mais difícil ser cidadão de Vera Cruz…
 
Às vezes, faço minha mulher assistir a TV Bloomberg, o que ela considera uma espécie de tortura, mas assiste.
 
Ontem estávamos vendo duas reportagens, antes de irmos para nossos respectivos trabalhos, uma com Celso Amorim, esse “gigante” da diplomacia, e outra com Lula, esse “gigante” da moralidade e da coerência.
 
Amorim estava explicando por que o Brasil não iria enfrentar as medidas protecionistas implementadas pela Argentina.
 
Como vocês sabem, a Argentina e outros países “amigos” sempre elegem o Brasil como alvo principal de suas políticas protecionistas.
 
Querem retringir as importações de produtos brasileiros, impor tarifas extras etc. São medidas impressionantes, pois a Argentina faz parte do Mercosul.
 
Seria (quase) como a França implementar medidas protecionistas contra a Itália?!?!?!
 
As explicações foram de qualidade precária. Um vexame, uma aula de tergiversação pífia, de sofismas esquerdistas novecentistas. Nem brizolismo era, pois o caudilho, ao menos, era engraçado.
 
Depois, imediatamente depois, veio Lula.
 
Lula estava desancando o protecionismo dos países ricos. Dizia ser um absurdo esses países lançarem mão de práticas econômicas restritivas para proteger suas economias e os empregos de seus cidadãos. 
 
Dizia que o protecionismo só iria piorar a situação mundial. Dizia que o Brasil pode tomar medidas junto à OMC contra essas práticas.
 
Minha mulher perguntou, espantadíssima: – Ele tá brincando, não está? Está de sacanagem! Chamar a Argentina de país rico, só pode ser sacanagem.
 
Não posso culpá-la pela confusão.
 
As pessoas que raciocinam, as pessoas de bem, realmente têm dificuldade para compreender o governo.
 
Expliquei a ela que Amorim estava passando a mão na cabeça da Argentina, dizendo que não iria enfrentar suas medidas protecionistas, que não iria representar contra ela na OMC, enquanto Lula estava se referindo aos EUA e à Europa.
 
Ela emendou:
 
– Ué! Por que a Argentina pode ser protecionista e os EUA e a Europa não?
 
Busquei muitas explicações racionais, mas não achei.
 
Quis dizer que, para o comércio exterior brasileiro, a Argentina e os países da América Latina seriam menos importantes do que os países ricos, mas isso está longe de ser verdade.
 
Na realidade, a política do governo federal foi de reduzir o relacionamento comercial com os países ricos e aumentar fortemente com os países latino-americanos, de forma que estamos muito mais vulneráveis ao protecionismo de nossos “hermanos”.
 
E já tomamos calotes homéricos do trio “século XIX”, Chávez, Correa e “Zacarias” Morales. E estamos entrando em outros buracos com a Argentina e com o Paraguai.
 
É muito difícil manter a mente sã no Pindorama.
 
Minha mulher, depois dessa, trocou de canal e começou a assistir a entrevista dos participantes do BBB9 no programa da Ana Maria Braga. Infelizmente sou obrigado a concordar que ela vai aprender muito mais com isso…
 
That’s all folks!
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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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