Bolsa-vaselina 2

Posted on 04/02/2009. Filed under: Política |

Lembram do e-mail da semana passada falando da “Bolsa Vaselina“?
 
Eu não havia conseguido confirmar a informação, pois o site do ministério da Saúde não atualiza sua área de editais e licitações desde 2007.
 
A despeito da incrível incompetência de manter um site tão importante sem atualização, de resto, devo publicar a explicação do ministério.
 
O ministério acabou se explicando e o Globo Online publicou a notícia:
 
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/02/03/governo-gasta-1-1-mi-em-gel-para-reduzir-risco-de-contaminacao-da-aids-por-sexo-anal-754254785.asp
 
Bem explicadinho.
 
O gel é para reduzir o risco de romper o perservativo e, se ocorrer, reduz o risco de contaminação. Sei lá se é verdade que reduz o risco de contaminação, mas faz algum sentido.
 
Há ainda a distribuição para mulheres na menopausa, por motivos diferentes, porém também inteligíveis.
 
Enquanto isso nosso programa de prevenção contra a AIDS, que ainda é modelo no mundo, está estagnado há 5 anos. Veja:
 
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090112/not_imp305765,0.php
 
Talvez distribuir camisinhas e lubrificantes seja eficiente.
Talvez fazer propagandas maliciosas sobre o carnaval seja também eficiente.
Talvez distribuir cartilhas e seringas aos viciados seja eficiente.
Talvez…
 
Certamente isso vai ensinar bastante sobre a forma segura de fazer sexo anal e sobre a forma correta de injetar heroína. O que, sem dúvida, é importante.
 
Preferiria que as campanhas, ao menos, fossem educativas no sentido de transmitir valores mais universais.
 
Naturalmente sem hipocrisia. Talvez estimular as pessoas a evitarem entrar nos grupos de risco seja uma boa idéia.
 
Enquanto estiverem neles, receberão KY e seringa, sem problemas.
 
Porém os grupos e os comportamentos de risco são bem conhecidos e as formas de evitá-los não são tratadas em nenhum programa de abrangência visível.
 
Não usar drogas, ter parceiro sexual fixo, evitar promiscuidade, não compartilhar seringas etc., infelizmente, não são valores transmitidos pelo Ministério.
 
Ao menos, não é isso que vemos nas campanhas.
 
Não quero parecer retrógrado, mas a evidência pragmática é simples: todas as atitudes reveladas acima aumentam o risco de contrair AIDS e outras doenças bastante perigosas como hepatite, herpes, infecções e sífilis.
 
Há que ensinar a usar a seringa, mas também que sugerir que a vida nas drogas não é um caminho viável.
 
Há que distribuir KY, mas também que sugerir um comportamento sexual de menor risco. Se não por moral, pelo pragmatismo do combate à AIDS e às DSTs.
 
Como vocês perceberão na reportagem do Estadão, o crescimento expressivo da AIDS no Norte e no Nordeste se dá em jovens homossexuais e heterosexuais.
 
Um jovem de 15 anos que tem acesso a um Kit com camisinhas e KY não poderia estar sendo estimulado?
 
Se não tomarmos cuidado, acabaremos por transmitir um valor positivo para a promiscuidade. Será um valor superior em nossa sociedade.
 
Correndo o risco de ser mal-interpretado pelos “progressistas” de plantão, não gostaria de viver em uma sociedade onde a promiscuidade seja interpretada positivamente.
 
Nem a corrupção e nem a violência.
 
Compreendam progressistas, não estou afirmando ser certo ou errado, apenas que não é meu desejo ver esses valores tornados superiores em nossa sociedade.
 
Opinião deve ser respeitada.
 
Desculpem o tema, nada financeiro, mas, afinal, o dinheiro é nosso, não é? Podemos ao menos sugerir um complemento educativo, para evitar que nossos jovens acreditem que nosso governo os estimula a usar drogas e a praticar sexo sem consciência.
 
That’s it folks. 
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    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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