O pitoresco governo brasileiro

Posted on 15/01/2009. Filed under: Finanças, Política |

Ah, o governo…
 
Seria tão bom se não precisássemos falar dele…
 
Pois, infelizmente, o governo brasileiro anda um pouco perdido nesses últimos tempos. Perdoem-me os defensores de Lula, mas a coisa desandou, levemente. Veremos alguns fatos que desafiam a racionalidade a seguir.
 
Enquanto o mundo crescia a todo vapor, no maior período de crescimento da história do capitalismo, nada que os governos fizessem poderia, realmente, derrubar os países. Ao menos em sua economia. Veja os exemplos dos governos de Chávez, Morales e Correa. Enquanto o petróleo ajudava, acabavam financiando suas loucuras de poder, mas a vida do cidadão comum pouco sentia o peso desses atos. A PDVSA importava até leite com dinheiro do petróleo.
 
Pois bem, como diz o ditado: “Dependendo do vento, até tijolo voa!“. Sem vento, é preciso técnica, destreza e presença de espírito.
 
Agora que a coisa desandou, não há como atravessar a crise sem competência técnica mínima e pragmatismo financeiro e econômico. Não há, simplesmente, mecanismo para “empurrar a crise com a barriga”, de forma que o povo desses países (e do nosso) não sinta.
 
Pois o governo me apronta, em poucos dias, grandes patetadas. Vamos a elas:
 
1.
O governo havia decidido parar as usinas termelétricas, pois os reservatórios das hidrelétricas estavam abarrotados. Jogando água fora, literalmente.
Vi o ministro-piada, Lobão, afirmar que não havia mais necessidade de manter as usinas a gás funcionando.
Afirmou que isso traria ao país uma economia de centenas de milhões de reais por ano, além de não poluir e, principalmente, ajudar na balança comercial, pois o gás é importado.
Tudo decidido, tudo resolvido, até que… Um representante do governo boliviano pediu para encontrar o ministro e…
O ministro resolveu voltar atrás e continuar usando algumas usinas a gás.
O custo será de 26 milhões por dia. POR DIA. O país precisa economizar, precisa reduzir as importações para segurar o dólar e inflação, e o Ministro-pateta diz que será necessário mantê-las ligadas.
Ora, e antes? Qual das informações é correta, tecnicamente falando? Precisa ou não precisa desligar? Senhores, isso impacta DIRETAMENTE o valor das contas de luz. Entra no cálculo DIRETAMENTE.
E aí, vamos pagar para manter a “soberania do povo boliviano”?
  
2.
O ministro do trabalho, um dos mais desqualificados da história, resolveu comprar briga com o empresariado brasileiro, chamando-os de “espertos” e de “aproveitadores” e afirmando que só emprestará dinheiro do FAT e do FGTS se houver garantias no emprego. Ora, essa decisão não é dele. Não é o ministério que empresta.
Será que ele não ouviu as notícias sobre uma queda de 42% na produção automobilística em dezembro?
O que esse boquirroto pensa?
Acha que os empresários fecham as portas ou param de vender por luxo pessoal?
Por desejo de trabalhar menos?
Por que ele não se preocupa com os 50% de trabalhadores que estão na informalidade?
Qual a garantia desses?
Esse ministro tem pouca capacidade diplomática e intelectual. Não dá para ter um sujeito com mentalidade de sindicalista de baixa patente com esse poder todo. Atrapalha bastante. Mas pra fazer propaganda…
 
3.
Recentemente temos visto coisas impressionantes no horário nobre da televisão brasileira. São propagandas da ANP, ANEEL, Eletrobras, Ministério de Minas e Energias etc.
Por que fazer propaganda de uma agência reguladora?
A ANP fez propaganda para dizer que iria colocar em leilão algumas àreas de exploração de petróleo.
Ora, essa é EXATAMENTE a obrigação da ANP. Ela existe para isso.
2009 promete ser uma no de queda abrupta na arrecadação, para que fazer esse mundo de propaganda?
Podem escrever, se furar o orçamento, quem vai pagar?
O Zé Mané aqui. E não pagarei sozinho…
 
4.
O “não-pacote”.
Normalmente um pacote de medidas econômicas é assim chamado por guardar coerência entre o que está “empacotado”. Costuma haver uma relação de sinergia entre as diversas medidas. Todos os países estrangeiros estão usando a terminologia “pacote”. Mas o governo brasileiro se recusa.
Está espalhando medidas pontuais, a torto e a direito, desde outubro, mas se recusa terminantemente a chamar de “pacote”.
Talvez não seja mesmo, pois as medidas parecem desencontradas.
A redução no IPI foi ótima… só para quem não queria usar seu carro usado na troca.
Dizimou o mercado de carros usados. Deve ter apagado uns 20% do patrimônio de todos que têm carro. Se você tinha um usado de R$ 30.000, hoje vai ter dificuldade de conseguir avaliações superiores a R$ 24.000,00.
Talvez se fosse um pacote, veriam que sem crédito de brasília e monza, não há recuperação do mercado automobiístico. Poderiam ter pensado em aliar essa medida com outras, que reduzissem os efeitos colaterais. Mas… como não é “pacote”…
Talvez esteja na hora das medidas guardarem alguma proporção, alguma ligação entre elas. Pacote já!
 
Há muitas outras na área econômica, mas, só para não esquecermos de que o governo também é pitoresco em outras áreas, não custa lembrar 2 episódios recentíssimos…
 
– O ministro Tarso Genro concedeu asilo político a um ex-militante da extrema esquerda Italiana. O sujeito tem condenação por 4 homicídios na Itália. Na decisão de Tarso, o ministro ridicularizou o processo penal italiano, chamou os juízes daquele país de preconceituosos e viesados. Gerou uma turbulência desnecessária, pois poderia ter esperado o STF se pronunciar. Não entendi a pressa de libertar o sujeito. Deve haver algum cargo vago no governo…
 
Pois bem, o tal italiano vai ser solto hoje. Se ele for, realmente, um assassino e um terrorista, teremos mais uma pessoa maravilhosa entre nós. Que beleza.
Isso, toda essa indulgência, nem parece ter vindo do mesmo ministro que soltou os capatazes da Casa Grande para achar os pugilistas cubanos e deportá-los, sem apelo e em avião venezuelano, para Cuba.
Essa gente é estranha mesmo. Eles estão nus e pensam que ninguém vê.
 
– O chanceler Celso Amorim, outra personalidade pitoresca desse governo, fez um périplo pelo Oriente Médio, na tentativa de levar a paz ao conflito entre Israel e o Hamas. E eu vi, ninguém me disse, eu vi e ouvi, foi o Lula que “determinou” que Amorim fosse dar um fim na baderna.
Todos os dias Amorim encontrava algum líder israelense ou palestino e os repórteres brasileiros perguntavam: O que ele está fazendo aqui? Todas as reportagens sobre o conflito, em todo o mundo, ignoraram solenemente o Brasil.
Até agora, ninguém descobriu o que o Brasil foi fazer por lá. A história de interferência do país nessa guerra é nula. Nunca apitamos nada. Amorim foi se oferecer para ser um interlocutor mais “imparcial”. Fica difícil demonstrar essa imparcialidade se Lula visitou todos os inimigos de Israel, mais de uma vez. E ignorou os israelenses.
Enquanto isso, nossas favelas, TODOS OS DIAS, apresentam conflitos que trazem o mesmo grau de insegurança e pavor que sentem os palestinos ou os israelenses na mira dos foguetes.
Bom, o resultado é o que todos viram. Nenhum.
 
É um governo pitoresco, não é?
 
Bom, só nos resta torcer para que a crise não venha com força, pois não será interessante enfrentar a tempestade com o timoneiro descalibrado. Ou calibrado… (brincadeirinha).
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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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