US$ 38,00 – Irracionalidade nas commodities

Posted on 18/12/2008. Filed under: Finanças |

Tenho enviado poucos e-mails, pois fim de ano por aqui é correria. Não tem esse negócio de recesso…

Bom, gostaria de alertar para alguns movimentos estranhos no horizonte.

O título do e-mail refere-se ao valor do barril de petróleo no dia de hoje. US$ 109 dólares mais barato do que há poucos meses.

 Em compensação o dólar está nas alturas em, praticamente, todos os países emergentes e na Inglaterra. O Euro também já foi bem mais forte, chegando a comprar US$ 1,56. Hoje compra US$ 1,42.

Há um non sense nisso tudo.

Talvez causado pelo pânico que tomou as mentes dos investidores nos últimos 3 meses. Pânico total. Descrença no vizinho. Medo de que seu hedge fund quebre ou de que seja uma fraude. Medo de que seu banco quebre. Ufa! Houve motivos para pânico.

Peguemos o minério de ferro.

Já especularam que voltaria a preços de 1984, coisa de 80% mais barato do que hoje.

Quais as chances de ocorrer esse pandemônio no mercado de minério de ferro?

Bom, é um mercado onde 3 empresas dominam 75% de toda a produção.

O mercado chinês continua comprando no mercado spot (à vista, negociação direta) pelo mesmo preço que a VALE vende.

Os governos querem investir em infra-estrutura. Ora, infra-estrutura demanda FERRO!

Se o minério fosse negociado em bolsa, provavelmente já teria caído 70%. Mas como não é, não caiu nada.

Ainda.

Pois bem, o que quero dizer é que a teoria econômica pressupõe que o equilíbrio entre oferta e demanda vá ditar o preço de um bem.

Cedo ou tarde.

Essa máxima está falhando, provavelmente por força da sofisticação do mercado financeiro. Das facilidades de se montar e desmontar posições compradas e vendidas (a descoberto?!?!?!) nos mercados futuros de câmbio e de petróleo.

O Dólar deveria ser o ativo mais desvalorizado hoje em dia. Não há nada mais abundante do que dólar. Todos os dias o governo americano amplia seu déficit, inundando o mercado com dólares.

É bilhão pra lá, trilhão pra cá…

Pergunto:

Por que um investidor corre para comprar títulos do tesouro americano para ter retorno negativo?

Por que um investidor corre para um ativo (dólar) que o próprio emissor disse que quer DESVALORIZAR?

E quanto ao petróleo?

Ora, até 3 meses atrás o mundo consumia mais do que se produzia. Agora a OPEP corta a produção em 10% e o petróleo cai … 10%?!?!?!?

Ao preço que está o petróleo, boa parte dos projetos não é viável.

Mesmo os que já estão produzindo. É melhor parar de produzir do que gastar US$ 44 para extrair óleo e vender por US$ 38.

Idem para o Níquel.

Pouquíssimas empresas (VALE) conseguem produzir níquel a custos menores de que 9.000 dólares a tonelada.

Senhores. Houve uma revoada dos investidores saindo das commodities para o dólar. Já havia ocorrido o contrário nos últimos anos, fazendo com que o dólar perdesse muito valor e as commodities ganhassem.

É muito provável que esse mercado não esteja em equilíbrio.

É muito provável que as demandas por commodities caiam por um período e voltem a subir. Mas em valores pequenos. Grandes no curtíssimo prazo, mas pequenos no médio prazo. Ninguém vai deixar o carro em casa nos EUA ou na China.

Agora, a corrida ao dólar é injustificável, do ponto de vista da racionalidade básica econômica.

Deverá haver uma correção. Espero que não seja muito forte, pois de volatilidade estamos fartos!

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    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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