Worst Market Sell Off

Posted on 25/10/2008. Filed under: Finanças, Política |

Essa é a expressão.

Temos visto as ações derreterem nos últimos meses, assim como o valor dos títulos dos países emergentes e outras obrigações mais arriscadas.

Estima-se que, no mercado de hedge-funds, esteja havendo a maior onda de resgates de todos os tempos. Nesse caso, não há o que um fundo fazer, a não ser vender seus ativos.

Ainda, nos fundos de ações brasileiros, há uma evidente corrida aos resgates também.

Fundos que antes tinham R$ 2 bilhões, hoje estão com patrimônio próximo a R$ 200 milhões. Nisso nosso clube ainda está bem, chegamos, no máximo, a R$ 180.000 e hoje temos perto de R$ 90.000. Foram poucos resgates, só de quem colocou dinheiro pesado. O pessoal do cemzão e do trezentão está firme e forte.

Por conta desses movimentos sem precedentes de vendas, veremos, ainda, uma onda de movimentos irracionais nas bolsas. Principalmente em bolsas pequenas como a nossa.

As oportunidades na crise…

Ontem a Whirlpool e a Brasmotor (brastemp, consul etc.) declararam um dividendo próximo a 10% do valor da ação. Faz sentido? Certamente não. Dividendo superior a DI (menos imposto)? Só acontece porque a ação estava absurdamente desvalorizada.

Haverá COM CERTEZA oportunidades únicas se a crise de liquidez se aprofundar mais.

É evidente que nem todas as empresas terão desempenho operacional satisfatório, mas podemos ter situações absurdas como dividend yields de 20% e P/Ls menores que 3. Isso já ocorreu no mercado brasileiro, durante crises passadas.

O caso Aracruz-Sadia

Por isso é importantíssimo diversificar. Veja o caso da Sadia e da Aracruz. Por mais sólidas que parecessem, apresentaram riscos elevados. A Aracruz, provavelmente, vai ser socorrida pelo BNDES. Ou seja, nosso dinheirinho vai cobrir os buracos da administração mega-ultra-hiper-incompetente e ainda vai garantir os ganhos dos bancos estrangeiros.

Vale isso tudo para não quebrar a maior exportadora de celulose do mundo? Eu, pessoalmente, acho que vale, desde que o governo ganhe com a recuperação das ações. Os governos do mundo inteiro estão fazendo isso.

Espero que isso seja pedagógico para o governo Lula e para a esquerda brasileira.

Massacraram Francisco Lopes e FHC no caso Marka-Fonte Cindam, pelos mesmos motivos, ou seja, DÓLAR ALTO e agora estão com dezenas de bancos, construtoras, exportadoras de pires na mão pedindo socorro ao Tesouro.

Só uma fofoquinha.

Durante o caso Marka-Fonte Cindam, houve risco sério de quebrar a BM&F. É que a BM&F era garantidora dos negócios dos bancos, se eles falhassem para honrar seus contratos de dólar futuro, a BM&F teria que pagar. Não havia recursos suficientes.

Pois a fofoquinha é que, durante essa semana, passamos, e ainda estamos passando, por esse mesmo risco. Só que, na época, só os dois banqueiros idiotas apostaram a favor do R$, o resto do mercado estava especulando no sentido contrário.

Hoje, a maioria está especulando a favor do R$. Antes eram só 2, hoje são 200.

Daí o motivo de “abrir o cofre” oferecendo US$ 50 bi em SWAPS.

Resumindo…

Bom. Escrevi isso para entenderem o seguinte: Hoje o drive dos preços é SÓ pânico. Não há relação com fundamento. Por ser pânico, falo aos que seguem nossos princípios, pode ser a chance mais importante dos últimos 5 anos para se comprar ações baratas.

Para mais sobre os resgates nos hedge funds, leiam:

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=a8.xpaCUzHSI&refer=home

Ah, os mais entendidos devem estar se perguntando:

Como um HEDGE fund perde? Não é fundo de HEDGE (proteção)?

Pois é. Sabe como eles se protegiam?

Compravam uma carteira de recebíveis do Lehman Bros., daí, para garantir o ganho, pagavam ao Wachovia um seguro desse crédito (CDS). Preciso dizer mais?

Bom, a cada dia que passa esse CDS fede mais.

Esperemos…

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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