Black Friday será hoje?

Posted on 24/10/2008. Filed under: Finanças |

 
A situação na Europa e nos EUA está bastante deteriorada.
 
Há tempos o mercado está esperando a Black Something, e pode ser hoje.
 
Mesmo com o resultado absurdo da VALE (o lucro triplicou no trimestre e a menina já mostrou que dólar alto é festa de ganhar dinheiro), o mercado brasileiro deve sofrer imensamente.
 
Há uma enormidade de analistas técnicos que estão profetizando a bolsa a 30.000 pontos. É a tal profecia que se autorealiza. De tanto eles falarem e buscarem isso, a bolsa vai acabar chegando lá…
 
É importante ter em mente que os drives que fizeram o mundo crescer nos últimos anos estão todos ainda funcionando. As pessoas querem consumir e as empresas querem produzir.
 
O nó na economia mundial foi criado por derivativos de crédito (SIV, CDO e CDS) que alavancaram demais o poder de compra das pessoas.
 
Qualquer americano e qualquer europeu, de 2001 a 2006 viu o preço de seus imóveis disparar, dada a facilidade de crédito barato nesses mercados.
 
Para nós é difícil entender, pois nenhum brasileiro que eu conheço pega sua casa própria, quitada, e vai ao banco pedir empréstimo e dar a casa como garantia. Aqui a gente faz de tudo para quitar a casa e falar: – é minha!
 
Pois bem, como num esquema de pirâmide, houve uma enxurrada de crédito que gerou uma elevação sem precedentes nos preços dos ativos.
 
Para o banco parecia bom, pois se o sujeito não pagasse, ele retomaria uma casa que valia mais. Hoje vale menos. Muito menos. 50% menos. 70% menos. E é isso, os bancos emprestaram 200.000 para o sujeito comprar uma casa que valeria 300.000 em 3 anos, só que essa casa hoje vale 100.000. E tome de prejuízo nos balanços.
 
Para piorar, os agentes que vendiam as hipotecas só pensavam em receber suas comissões. Davam crédito para qualquer um. Isso porque o milagre dos CDO’s permitia que se juntasse 1.000 hipotecas em um só produto de crédito.
 
Dessas 1.000, 100 eram excelentes, 500 normais, o resto era de gente de altíssimo risco. Mas como misturou com gente de baixo risco, era vendido como coisa boa. E assim eles espalharam a caca pelo mundo todo.
 
O outro derivativo (CDS), como já falei poderia ser dizimado com uma canetada, pois ele não serve para nada. Depois que vimos que há idiotas vendendo seguro sobre a dívida argentina, não há mais limites. Talvez até a dívida do Flamengo esteja nessa. Porém o CDO não pode ser extinto. Ele é real e as hipotecas geram mesmo fluxo de caixa.
 
É um problema que se autoalimenta. O cara que comprou a casa por 200.000, vê ela cair a 100.000 e fala: Ora, tenho uma hipoteca de 200.000, garantida por uma casa de 100.000. A forma mais barata de pagar essa dívida é devolvendo a casa.
 
Show, não é?
 
Mas isso é coisa de país de primeiro mundo. Os emergentes não experimentaram essa besteirada. Somos muito mais simples.
 
Hoje a libra esterlina está caindo incríveis 11% em relação ao dólar. Mais até do que quando o Soros quebrou a banca. O Euro também desaba. As moedas nórdicas valem cada vez menos.
 
Entendo que podemos estar vendo uma virada significativa no poderio econômico do planeta. Alguns países europeus são muito pequenos e podem, realmente, quebrar se houver qualquer investida contra sua moeda. Ainda, seus mercados internos são inexpressivos, em relação ao seu PIB.
 
O trio Brasil, China e Índia tem muito mercado interno para abastacer o que deve lhes garantir alguma proteção contra a recessão mundial. Alguma, mas os impactos serão grandes.
 
Nossa crise de hoje foi gerada por ganância e incompetência generalizada no mundo capitalista. Todos sabem que uma espiral de valorização de ativos tem fim, mas ninguém quis parar.
 
É uma crise muito importante.
 
Deverá trazer de volta à humildade os economistas e os bancos centrais.
 
Ver que, enquanto os EUA baixavam os juros para conter uma recessão iminente, a Europa e a Inglaterra subiam fartamente os juros para fugir da inflação, foi terrível.
 
Isso aprofundou o abismo entre as moedas e jogou o dólar a valores irrisórios. Hoje a Europa deve encarar uma recessão muitíssimo pior que a dos EUA. Genial, não é?
 
Lembro que não faz muito tempo, poucos meses, o BC Europeu subiu as taxas, com aquela empáfia: temos que controlar a inflação! Daí, hoje, correm para consertar o estrago.
 
O Brasil tem grandes chances de sair mais protagonista do que entrou. Basta acabar com o prosáico discurso político, esquerdóide, e mostrar competência e seriedade para enfrentar nosso naco da crise.
 
Criada, em grande parte, pelo nosso BC que por uma incompetência sem precedentes deixou o dólar subir 50%, MESMO tendo reserva suficientes para evitar uma variação tão rápida.
 
Eu penso que o BC não tenha condições de segurar o dólar para sempre, mas certamente se essa elevação de 50% ocorresse em 6 ou 8 meses, seria muito mais fácil para as companhias desmontarem sua exposição ao dólar.
 
O dólar a R$ 2,50, que seria uma bênção para nosso país exportador, é hoje uma ameaça às companhias brasileiras.
 
A mudança do mundo deverá ser mais sentida no mercado de altíssimo luxo, pois os bônus bilionários serão reduzidos. Até considerados imorais, por conta da palhaçada em que se transformou o sistema financeiro mundial.
 
Agora, o Zezinho, o Xei Ping Xuan e o Maharitsva Kashivamuvi vão continuar comprando seu cimento Holcim e seu vergalhão GG50 para fazer um puxadinho.
 
A China deve iniciar um grande desenvolvimento na área da agricultura, permitindo a propriedade privada e a mecanização no campo. Isso é grande.
 
Segurem-se. Para quem está começando agora na bolsa, acho que nunca houve uma oportunidade tão evidente de ficar rico. Ah, mas não será amanhã.
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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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