A Argentina e o pôquer

Posted on 21/10/2008. Filed under: Finanças, Humor, Política |

Mais uma vez a Argentina. Mais uma vez um Kirschner.
Não sei se sabem, mas há um comércio internacional gigante para apostas esportivas. Os ingleses, por exemplo, apostam em qualquer coisa. Da bocha ao badminton.
Pois Wall Street também criou sua casa de apostas. Hoje, qualquer dívida do mundo, ATÉ a dívida Argentina, está “segurada” por CDS (credit default swap).
A Argentina, evidentemente, não tem nada com isso. Quem resolveu dizer La garantía soy jo! foi o UBS ou o JP Morgan.
É aquela velha (novíssima) história. Quem tinha títulos da dívida Argentina (acreditem, há loucos e o maior detentor é o Hugo Chávez) era abordado por bancos que diziam: Honro os títulos caso a Argentina decrete moratória ou não pague por eles. Para cada US$ 10 milhões de dólares, cobro US$ 244 mil por ano para garantir os títulos! Isso em preços de setembro de 2006. Era uma boa, já que esses títulos chegavam a pagar mais de 10% de retorno.
Mas hoje, esse seguro já está em US$ 3,2 milhões/ano…, ou seja, 32% do preço!!!!
Pois a Argentina já está se preparando para o calote novamente. Danada! Com a meteórica queda nos preços das commodities, há completa escassez de dinheiro no país vizinho. Os hermanos não conseguem vender seus títulos de dívida, pois não há crédito e ninguém quer ser credor da Argentina.
Como os fundos de pensão PRIVADOS são grandes detentores desses títulos de dívida, Mrs. Kirschner resolveu estatizar esses fundos. Não há muitos detalhes, mas a percepção dos investidores é a pior possível. 9 entre 10 analistas julgam que isso é um indicador de default iminente. O analista que não acha isso é argentino, brasileiro, boliviano, equatoriano ou venezuelano.
Argentina quebrar, tudo bem. É normal, acontece de 10 em 10 anos. Mas agora, com esse sistema de apostas criado por Wall Street, se a Argentina quebrar, tem um monte de gente dizendo que vai honrar os compromissos do país vizinho. Ganharam um pixulé para garantir esses títulos, e agora vão ter que desembolsar bilhões para os compradores desses seguros.
É evidente que isso não vai aliviar a Argentina em nada. Se alguém honrar os compromissos dos portenhos, vai cobrar depois, por anos, os prejuízos.
Não é sensacional isso. Antes, a Argentina quebrava e somente os credores diretos é que pagavam o pato, renogociando dívidas etc. Agora, com esse “brilhante” sistema de CDS, a caca argentina está espalhado pelos quatro cantos do mundo. Sabe-se lá com quem está o mico preto, ou o Maradona branco…
Vejam:
http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=adAhccpML_q8&refer=home
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    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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