Os dinossauros do pré-sal

Posted on 23/07/2008. Filed under: Finanças, Humor, Política |

 
Amigos,
 
O governo brasileiro não é brilhante, todos sabem. Alguns integrantes são menos brilhantes que outros, como o Chanceler Celso Amorim, que está sendo ridicularizado em Doha por sua verborragia ideológica, e o Ministro Temporão, que é vascaíno, o que é imperdoável (brincadeirinha…)
 
Mas tem um ministro que está fazendo frente à estupidez ideológica de Amorim, é o excelentíssimo Sr. Edison Lobão, esse monumento intelectual do PMDB.
 
Só uns toques (vou falar da Petrobras, depois):
 
1- Na década de 50, na fase embrionária da Petrobras, o Brasil decidiu banir qualquer hipótese de investimento estrangeiro na empresa. Vejam que lindo: O petróleo mostrava-se como grande oportunidade de investimentos, porém exigia uma tecnologia caríssima de prospecção e um risco altíssimo, pois à época as técnicas de identificação de bacias eram muito precárias.
O Brasil, como sabem, não tinha um vintém, era a tradicional quebradeira externa de 10 em 10 anos.
Deu no que deu, nós passamos quase 50 anos para atingir 500 mil barris/dia, foi só flexibilizar o monopólio que, em menos de 10 anos, atingimos 2,3 milhões de Barris/dia (dentro e fora do país).
 
2- Até a Arábia Saudita utilizou empresas americanas no desenvolvimento de seu mercado, somente comprando a totalidade da ARAMCO em 1980, quase 50 anos após o início da concessão de exploração para a Standard Oil of California. Fizeram EXATAMENTE o inverso do que fez o Brasil.
 
3- O preço do petróleo tem sido usado como proteção contra a queda do dólar. 10 entre 10 analistas dizem isso. 10 entre 10 analistas dizem que o Fed vai aumentar juros em breve, para conter a inflação. 10 entre 10 analistas acreditam que um movimento de recuperação do dólar deve levar a uma queda no valor das commodities. O petróleo vai subir indefinidamente? Parece que não, apesar das pressões de demanda.
 
4- Quando o mundo árabe bateu o pé na década de 70 e gerou duas crises do petróleo, experimentou um tiro no próprio pé, pois dali em diante iniciou-se um movimento para reduzir a dependência do petróleo. E realmente houve estagnação e até redução do  consumo. Eles, acreditem, morrem de medo de que esse movimento se repita e não tenha volta.
 
Isso posto, a novidade é que o Governo está com idéias brilhantes, como de hábito:
 
  • Retirar TODAS as áreas do pré-sal da rodada de licitações de prospecção e exploração, até definir novas “regras”. Impedindo INCLUSIVE A PETROBRAS
  • Criar uma nova empresa estatal que vai cuidar dos interesses do pré-sal. Não senhores, não será a Petrobras. Acreditem, o governo quer TIRAR da petrobras essa prerrogativa. Vai inventar algum royalty maluco ou criar alguma barreira que tornará o pré-sal uma inutilidade econômica.
 
O pré-sal é, como sabem, uma área nas profundezas do inferno cheia de petróleo. NINGUÉM até hoje explorou petróleo em mais do que 3,5 km de profundidade. O petróleo do pré-sal está, às vezes, a 10 km de profundidade. 
Não se sabe ainda: se é possível explorar, quanto custará e se será lucrativo.
 
Mesmo assim, o governo não quer dividir o risco, aliás, quer impor mais restrições e mais riscos às empresas, inclusive a Petrobras, que já encaram os desafios citados anteriormente. 
 
Bom, a petrobras terá um crescimento no lucro nesse ano, até porque o do ano passado foi fraquíssimo, mas as coisas poderiam correr mais se o governo não atrapalhasse tanto.
 
É meus amigos, o Brasil não é para amadores…
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    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

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    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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