Moral Hazard

Posted on 18/03/2008. Filed under: Finanças, Humor |

 
E agora, José?
 
A expressão “Moral Hazard” é utilizada para descrever o risco de que atitudes voltadas para salvar instituições financeiras irresponsáveis, possam encorajar outras instituições a agir tambem de forma irresponsável.
 
E faz todo o sentido preocuparmo-nos com o Moral Hazard. Se o FED vai fazer de tudo para não deixar as instituições financeiras quebrarem, mesmo que tenham sido irresponsáveis e incompetentes, com a desculpa de que “não podem permitir uma crise de confiança”, os executivos podem se tornar menos cautelosos. Há uma rede de segurança embaixo do fio.
 
Infelizmente o FED está meio perdido no tiroteio. E talvez não tenha mesmo saída.
 
Algumas do FED:
 
  • Reduziu juros do interbancário durante o final de semana, 3 dias antes de uma reunião oficial. Quer evidência maior de desespero?
  • Permitiu que os títulos hipotecários fossem dados como garantia para que os bancos pegassem dinheiro no overnight (US$ 200 bi de linha de crédito). Ou seja, dinheiro na mão com garantias mais do que duvidosas.
  • Forçou a tomada hostil do Bear Stearns por um preço arbitrário (os minoritários não foram consultados) e ainda ofereceu US$ 30bi para o JP Morgan lidar com ativos “menos líquidos”. Para entender “ativos menos líquidos” pense em ser o feliz proprietário de um Fiat 147, ou de um Lada Samara.
Hoje, o FED reduziu os juros para 2,25%. Isso deve fazer com que as aplicações dos americanos, em fundos de curto prazo, caia para algo como 1,3% ao ano. Isso torna uma grande bobagem vender ações para comprar títulos públicos, pois as empresas estão pagando mais de 2% ao ano de dividendos, nos EUA.
 
Na época do Proer também existia o Moral Hazard, o risco de que os banqueiros tomassem medidas imprevidentes, por não correrem o risco de quebrar, dado que o BC os salvaria ao menor sinal de “contágio” e de “crise sistêmica”. Por aqui não houve grandes transtornos, vamos esperar o fim da história por lá.
 
Agora, é certo que, em nome da estabilidade dos mercados, um monte de executivos imprudentes, irresponsáveis e gananciosos estão sendo “salvos” de seu justo inferno. É uma situação injusta, mas ninguém vai querer cortar na própria pele para “dar uma lição neles”.
 
Quem será o primeiro a dizer: “Deixe o citi quebrar, eles merecem”?
 
Eu não. Não sou louco, nem suicida…
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    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

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    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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