Erro crasso. O FED não sabe o que foi o PROER.

Posted on 17/03/2008. Filed under: Finanças |

Já li umas bobagens nos blogs e sites de economia comparando a operação do FED ao nosso finado PROER.
 
Em bom inglês: bullshit. Não há relação.
 
Para quem não lembra, vale recordar (afinal, a gente esquece como foi difícil se livrar da inflação).
 
Não sei se vocês sabem, mas o Brasil não é um país somente de freiras ursulinas, há também gente desonesta e torpe.
 
Nos bancos e nos governos, também, pasmem senhores!
 
Na época da inflação era absurdamente fácil fazer um balanço “fechar”, tanto no que diz respeito a bancos, quanto aos governos.
 
O fato do dinheiro perder 30% de seu valor a cada mês fazia com que os pobres (sem proteção bancária) pagassem o que chamávamos de imposto inflacionário, ou seja, o dinheiro em seu poder era corroído pela inflação e autorizava o governo e os bancos a emitir mais e mais moeda.
 
Era um ciclo vicioso onde os desprovidos de proteção bancária (aqueles fundos de investimento com rendimento diário) perdiam sempre e os governos e os banqueiros fartavam-se de ganhar dinheiro, principalmente através de balanços maquiados.
 
Resumindo: na época da inflação era fácil “rolar” os problemas financeiros dos bancos e dos governos.
 

Pois quando a inflação acabou, já em 1995, os balanços “tortos” começaram a aparecer os bancos e governos mais despreparados revelaram que não se conseguia ver à época da inflação, que já vinham quebrados há tempos!!!
 
A inflação estava impregnada no modo de vida o brasileiro, dos governos e das empresas e seu fim, apesar de importantíssimo, também foi bem traumático.
 
O governo federal através da resolução 2208 do CMN e das circulares 2636/95, 2672/96, 2681/96 e 2748/97 do BACEN, instituiu o PROER com objetivo de evitar que os bancos quebrassem e os poupadores e correntistas ficassem a ver navios (navios carregando suas economias para bem longe).
 
O FGC (fundo garantidor de crédito), criado para esse fim, recebia dinheiro DOS PRÓPRIOS BANCOS e não do contribuinte como no caso do FED.
 
O PROER foi dinheiro de banco usado para salvar bancos (e não banqueiros, como muitos alardeavam) e não dinheiro público.
 
No caso americano é uma vergonha. É grana de título do tesouro, é o governo trocando lixo (títulos de hipoteca) por ouro (títulos da dívida pública americana), tudo para salvar os bancos.
 
É o governo abrindo linha de crédito, com dinheiro público, para bancos que não conseguem comprar um papel higiênico.
 
Não nego que é necessário fazer isso, mas é errado comparar essa atuação (atabalhoada, imprevidente e anacrônica) com o PROER.
 
Quem entende um pouco de economia e não traz matizes político-partidárias reconhece o que é ponto pacífico em todo o mundo. O PROER foi o mecanismo de proteção ao sistema financeiro mais barato já utilizado por um país.
 
Sem um centavo de dinheiro público e tendo custado algo como 2,4% do PIB, o Brasil conseguiu passar de uma iminente crise sistêmica bancária, para uma transição bem menos traumática do que tiveram nossos irmãos sulamericanos e primos asiáticos.
 
Estima-se que alguns países da América Latina tenham gastado mais de 15% do PIB para sanear o sistema bancário.
 
O Banco Central americano já injetou quase US$ 1 tri, equivalente a uns 7% do PIB e a brincadeira ainda está só começando.
 
Crise sistêmica existe, não é balela, vejam a pouso atabalhoado da Águia.
 
Vejam mais em:
 
Senhores, conhecimento é o que importa!

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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