Bear Sterns e Mel Brooks

Posted on 17/03/2008. Filed under: Finanças, Humor |

Lembram que falei que o Bear Stearns estava em queda de 53% na sexta? Pois bem, ontem seu controle foi comprado por US$ 2,00 a ação (90% de desconto sobre o preço de sexta-feira, que já era 80% menor do que há um ano).
 
Ainda, o FED teve que garantir uma linha de crédito de US$ 30bi para que o JP Morgan comprasse o mico.
 
Como havia dito na semana passada, os bancos americanos estão com seus balanços absurdamente deteriorados, já estão quebrados, porém ainda não falidos (espécie de extrema-unção dada por um contador).
 
O Bear Stearns, é evidente, quebrou, mas o mercado financeiro internacional vai buscar evitar ao máximo que se decrete a falência de um banco, com medo (justíssimo, aliás) de que haja uma corrida aos saques e um desequilíbrio ainda maior no sistema financeiro.
 
Uma corrida aos saques seria, provavelmente, um baque de 2 a 4 anos na economia americana. Provavelmente ela retrocederia a níveis de 2005 ou 2004, e precisaria de uma boa engenharia financeira para se reerguer.
 
Já é mais do que evidente que essa é a maior crise que os EUA já enfrentaram, depois da segunda guerra. A grande vantagem para o resto do mundo, é que o império já não responde mais como locomotiva principal do crescimento mundial, porém seu declínio impactará fortemente as perspectivas de futuro para os países desenvolvidos e emergentes.
 
Lamento ver que talvez eu estivesse certo em meu medo de que os derivativos de crédito imobiliário fossem muito maiores do que as garantias. Leiam abaixo para entender meu medo.
 
Primavera para Hitler
 
É o título de um grande sucesso de Mel Brooks, no cinema e na Broadway. Bom a história é simples. Um produtor teatral corrupto encontra um gênio da contabilidade, até então honesto.
 
O produtor bola a seguinte jogada. Eles criariam um projeto para uma peça teatral de US$ 100 mil, e buscariam investidores. Só que, na realidade, captariam 10 vezes mais (US$ 1 mi). A jogada era vender, por exemplo, 100 títulos de US$ 10 mil, equivalentes a 10% dos direitos da peça cada um. É evidente que a conta não fecha, pois, teríamos uma peça com 1.000% dos direitos vendidos (100 X 10%).
 
O lance era fazer a peça ser um fracasso logo na estréia, por isso buscaram um texto de um ex-combatente alemão, que idolatrava Hitler. Se a peça fosse um fracasso, bastava eles dizerem aos investidores: não houve lucro. Ora, 100% vezes lucro ZERO, é o mesmo que 1.000% vezes lucro ZERO.
 
O final do filme eu não vou contar. Aviso que é hilário, ao contrário das minhas apreensões com o mercado americano.
 
É isso, tenho medo que uma casa de US$ 200 mil tenha se transformado em títulos que, somados, atingissem mais de US$ 2 milhões. Por mais que os entendidos em derivativos afirmem que essa matemática pode ser “lógica”, meus conhecimentos rudimentares do tempo de Pitágoras e Arquimedes não conseguem aceitar.
 
Não há muito o que fazer, a não ser esperar. O FED deve anunciar mais uma queda de juros amanhã, o que TALVEZ dê algum alívio aos mercados. Mas a crise não vai parar, não até que os derivativos podres tenham sumido dos balanços.
 
O problema é que ninguém sabe se será US$ 295 bi de dólares depois, ou US$ 2,95 tri de dólares depois.
 
Confesso que a atuação dos bancos americanos configuram o maior ataque contra o capitalismo desde a revolução russa.
 
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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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