O dólar e o petróleo – momentos de insanidade

Posted on 11/03/2008. Filed under: Finanças, Política |

O mundo está muito bagunçado. Petróleo a US$ 108 com expectativa FIRME de recessão nos EUA é um fenômeno intrigante.
 
Bom, falemos primeiro do dólar.
 
Lembram que sugeri que o fim do ciclo de valorização do R$ estaria perto do fim. O motivo, simples e cristalino, é que, já em 2008, havia a previsão de que o fluxo de dólares ficaria negativo em US$ 7,5 bi, o que forçaria uma (pequena) desvalorização do R$. O principal motivo seria uma queda no superávit da balança comercial de US$ 40 bi para US$ 30 bi.
 
Pois a coisa tá ficando mais clara, e mais feia! Estamos na TERCEIRA SEMANA seguida de déficit na balança comercial. O ritmo de crescimento das importações é recorde e, dado o preço ridículo do dólar, deve continuar crescendo velozmente.
 
Já há (JP Morgan) previsões de que nosso superávit cairá par US$ 20bi em 2008, o que aprofundaria MUITO o déficit previsto, levando o dólar próximo de R$ 2,00 no final do ano. Previsão deles. Concordo com os fundamentos da análise, mas o dólar a R$ 2,00 seria bom demais para ser verdade.
 
Ontem, o dólar iria às alturas não fosse a intervenção do BC, vendendo dólares, para segurar a valorização da verdinha. Mostrando bem o foco no controle da inflação. Daí a gente começa a ver que as reservas são caras, mas oferecem proteção…
 
Bom, para nós, que estamos carregados de empresas exportadoras, seria fantástica uma recuperação do dólar a partir de agora e pelos próximos anos. Certamente, enquanto durar a crise de crédito, o BC americano vai continuar forçando o dólar para baixo. Assim que arrefecer, os juros devem subir, fazendo com que a verdinha volte a se recuperar.
 
Esse cenário só mudaria caso o dólar perdesse a condição de reserva de valor mundial, de moeda oficial do comércio internacional. Até o momento, não parece plausível que isso ocorra. Possível é, mas é bem improvável.
 
Agora o petróleo.
 
Senhores, vejam os sinais:
– a OPEP disse que não vai aumentar a produção porque não existe excesso de demanda.
– Quem está forçando o valor do petróleo são os fundos que operam mercado futuro.
– O preço da OPEP está 10% inferior ao negociado nas bolsa de futuros de Londres e USA.
– Os EUA estão em vias de encarar uma recessão grande, e são os maiores consumidores de petróleo.
 
Tem couro de jacaré, boca de jacaré, corpo de jacaré. Deve ser jacaré… Tá com pinta de bolha…
 
De qualquer maneira, seria excelente para a Petrobras que o mercado retomasse a racionalidade, pois nós somos importadores líquidos de petróleo, de forma que o balanço da Petrobras AINDA é afetado negativamente por um petróleo leve nas alturas, bem como derivados.
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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

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    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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