Cartas de Estocolmo

Posted on 14/02/2008. Filed under: Finanças |

Li um artigo interessante no site do Noblat e quero enviar para vocês. É de uma estudante de doutorada brasileira que mora na Suécia, terminando um doutorado.

Ela trata dos preços e dos salários na Suécia. Vocês vão ver que, mesmo com salários altos e excelente distribuição de renda, o pacote de consumo do sueco é bem restrito, em termos de qualidade e sofisticação. É bem verdade que na Suécia não há necessidade de pagar por saúde, educação e segurança, ou seja, plano de saúde, escola dos filhos e seguros em geral…

Certa vez o Tomzinho de Ipanema e da Plataforma (aquele que dá nome ao aeroporto), disse, ao comparar o Brasil com os Estados Unidos:

“A diferença entre o Brasil e os Estados Unidos é que lá é bom, mas é uma merda. Já o Brasil é uma merda, mas é bom…”

Got it?

Leiam:

Preços relativos, poder de compra e outros babados

Trouxe do Brasil dois vestidos que “herdei” da minha mãe. Semi-novos, pediam uma boa lavagem a seco para ficarem no ponto.

Hoje levei-os à tinturaria. Quase caí sentada! A lavagem dos dois vestidos custava exatamente 720 coroas suecas, ou seja, 200 reais! Não sei quanto os vestidos custaram, mas, certamente, se eu sujá-los um par de vezes mais, fica mais em conta comprar novos aí…

Depois de deixar as roupas na lavanderia, fomos ao supermercado. Encontramos deliciosas melancias brasileiras. Compramos uma, pequenininha (3,5 quilos, talvez), para matar a minha vontade. Pela bagatela de 21 reais!

Sobre o preço da carne, nem sei se é bom falar. O quilo de carne moída sai pelo equivalente a 25 reais, mas por qualquer carne melhorzinha paga-se no mínimo 50 reais. Filet mignon, nem pensar! Principalmente agora com o bloqueio da EU à carne brasileira. O negócio é se preparar para uma dieta de frango…

Os preços aqui são altos, talvez porque os salários, e conseqüentemente os custos, também são elevados em comparação com o Brasil. E a melancia, a manga, o mamão têm que ser transportados daí, não é mesmo? Não vou nem falar dos custos ambientais de cada fatia…

Já o mercado de trabalho sueco é famoso por achatar a distribuição dos rendimentos. No final das contas, a escolha da profissão se faz muito mais pela vocação ou ambição pessoal, do que pelas diferentes possibilidades em termos de remuneração futura. O que, aliás, pode ser muito positivo…

Salvo quando diretores de empresas privadas ou bancos, executivos da indústria ou do sistema financeiro, ou grandes estrelas do show business, as pessoas normalmente ganham salários brutos que variam entre 20 e 45 mil coroas, ou seja, algo entre 5,5 e 12 mil reais.

Não há salário mínimo fixado, mas, pensando bem, o sujeito, mesmo desempregado, ganha pelo menos uns dois a três mil reais por mês do seguro desemprego. Um trabalhador sueco que trabalha a jornada completa, na média, deve ganhar por volta de cinco ou seis mil reais.

Não raro um pedreiro, ou outro tipo de trabalhador da construção civil, ganha mais do que um professor, um funcionário público graduado ou um enfermeiro ou funcionário de banco. E isso não tem nada que ver com o prestígio das diferentes profissões…

A diferença entre o salário bruto e o líquido é de cerca de um terço. O imposto de renda leva mais de 30% do rendimento mensal do trabalhador. Mas, com o sistema de taxas progressivas, o imposto chega a levar até metade dos rendimentos acima de uma certa faixa.

Mas se os salários, em média, são mais altos do que no Brasil, os preços, como já disse, são também mais amargos. Um último exemplo: quer morar perto do centro de Estocolmo? Prepare-se, então, para desembolsar quatro mil reais pelo aluguel de 100 metros quadrados!

É claro que tudo isso é relativo e que a taxa de câmbio é quem manda no jogo. Mas achei que, juntando esses dados, eu poderia ver as coisas de uma melhor perspectiva, principalmente ao voltar para cá depois de umas semanas “em casa”…

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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

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    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

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  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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