Papo sério

Posted on 21/01/2008. Filed under: Finanças |

 
Pessoal, agora é para prestar atenção. Sério!
 
Vamos tratar de alguns pontos importantes para nossas decisões de investimento.
 
Recessão nos EUA
 
É praticamente certa. De cada 10 notícias que saem, 11 são ruins. Não há mais dúvida, ao menos não para mim.
 
A recessão de 2001 acabou rápido, pois Bush promoveu um alívio de 6% do PIB dos EUA, com a herança bendita de Clinton (um enorme superávit fiscal). Hoje bush tem um enorme déficit fiscal, portanto não pode abrir mão de impostos.
 
Bush e sua equipe são fracos, tomam decisões óbvias e contra-sistêmicas. Não conseguem avaliar sistemas com mais de 3 variáveis. Lula também não, diga-se de passagem, não temos o que comemorar.
 
Bush está caindo na armadilha que Reagan armou para a URSS. Bin Laden forçou Bush a um gasto absurdo com a guerra. Agora sim dá para entender o poder das armas de Bin Laden. Dólar no chão, governo indefeso e, pior, uma guerra sem vencedores.
 
Seria mais útil suspender os embargos e SUBORNAR Saddam para que não desenvolvesse armas. Algo como 2 dezenas de bilhões de dólares resolveriam fácil.
 
Nenhum muçulmano com uma casa na flórida e um jaguar na garagem acharia um bom negócio se explodir para encontrar umas virgens.
 
A China
 
Bom, a amigos mais próximos venho falando há 3 anos do déficit americano e há 2 anos do “timing” do declínio da águia, hoje uma galinha cansada.
 
A questão é simples, os EUA perderão a liderança mundial em breve, possivelmente até o meio ou final da próxima década. O problema é o timing da queda. Se ocorresse próximo de 2020, a China já estaria suficientemente forte para absorver os estragos. Parece que ocorrerá um pouco antes.
 
Há 10 anos, a China também crescia 10% ao ano, mas sobre uma base fraquíssima, um PIB baixo, hoje, continua crescendo 10%, mas tendo como base o terceiro maior PIB mundial.
 
Não é brincadeira. A China e a Índia seriam capazes de sustentar o crescimento mundial na ordem de 3 a 3,5% ao ano, independente dos problemas no primeiro mundo.
 
Pq? Bom, são 2 bilhões de consumidores!
 
O Brasil
 
O Brasil é um país de empresários brilhantes e governantes mediocres, hoje diria acéfalos. Nós somos um país de exportações primárias, enquanto houver pressão pelo consumo de bens básicos como casa, comida, eletrodomésticos, infra-estrutura etc., o Brasil vai vender como água.
 
Teremos um problema que TODO O PLANETA TERÁ, inflação um pouco mais alta. Não há como não haver inflação se estamos incluindo centenas de milhões de consumidores no marketplace. Há mais demanda por coxinha e asinha, há preço mais alto. Pode haver muito chororo, muita discussão acadêmica, mas a lógica persiste: demanda maior que oferta, preço sobe.
 
É básico e chega a ser até chato ter que lembrar isso aos “grandes analistas macro-econômicos”. Esse pessoal fica cheio de equação diferencial na cabeça e esquece que, para andar, é um passo depois do outro.
 
Acreditem, as análises que vemos na TV são lamentáveis, triviais e mudam semana a semana. Confiem no básico e na lógica, nada mais.
 
A bolsa brasileira
 
A bolsa pode cair mais uns 10% ou 15%, sem problemas. Faz sentido, pois haverá menos demanda, fazendo com que o preço caia. Mesma lógica das coxinhas e asinhas.
 
Agora, falando de fundamentos, lucros. Quem poderá sofrer nos próximos 2 anos?
  • Mineradoras? Enquanto o crescimento da China, da Índia e de outros emergentes for alto, continuará vendendo bastante e com alguma perspectiva de aumento de preços.
  • Alimentação? No way! Sem chance, é consumo básico. É objetivo de qualquer pessoa que sai da linha da pobreza é melhorar sua alimentação, passar a comer mais proteínas etc.
  • Consumo interno (Brasil)? Poderá sofrer forte retração se houver restrição de crédito.
Ainda não está claro se poderá acontecer isso no Brasil, mas é possível, principalmente porque nosso governo não reduziu o estoque da dívida e não diminuiu os gastos públicos, portanto não poderá reduzir os juros…
 
No momento em que escrevo vejo todas as empresas em leilão, com queda mínima de 5%.
 
Volto já, já. Não surpreenderia um circuit breaker hoje. Sem os EUA (hoje é feriado) a incerteza aumenta bastante.
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  • Disclaimer

    Este blog é um ambiente privado para expor opiniões, estudos, reflexões e comentários sobre assuntos ligados a finanças, bolsa de valores, economia, política, música, humor e outros temas.

    Seus objetivos são educacionais ou recreativos, não configurando sob nenhuma hipótese recomendação de investimento.

    O investidor consciente deve tomar decisões com base em suas próprias crenças e premissas. Tudo que lê ou ouve pode ser levado em consideração, mas a decisão de investimento é sempre pessoal. Tanto na escolha de ações para carteira própria, quanto na escolha de gestores profissionais para terceirização da gestão.

    O Autor espera que os temas educacionais do blog possam ajudar no desenvolvimento e no entendimento das nuances do mercado de ações, mas reitera que a responsabilidade pela decisão de investimento é sempre do próprio investidor.

    Sejam bem vindos!

  • Paulo Portinho

    PAULO PORTINHO, engenheiro com mestrado em administração de empresas pela PUC-Rio, é autor do Manual Técnico sobre o Método INI de Investimento em Ações, do livro "O Mercado de Ações em 25 Episódios" e do livro "Quanto Custa Ficar Rico?", os dois últimos pela editora Campus Elsevier.

    Paulo atuou como professor na Pós-graduação de Gestão Social da Universidade Castelo Branco e na Pós-graduação oferecida pela ANBIMA de Capacitação para o Mercado Financeiro.

    Atuou como professor da área de finanças e marketing na Universidade Castelo Branco e no curso de formação de agentes autônomos do SINDICOR.

    Como executivo do Instituto Nacional de Investidores - INI (www.ini.org.br) entre 2003 e 2012, ministrou mais de 500 palestras e cursos sobre o mercado de ações, sendo responsável pelo desenvolvimento do curso sobre o Método INI de Investimento em Ações, conteúdo que havia chegado a mais de 15.000 investidores em todo o país, até o ano de 2012.

    Representou o INI nas reuniões conjuntas de conselho da Federação Mundial de Investidores (www.wfic.org) e da Euroshareholders (www.euroshareholders.org), organizações que congregam quase 1 milhão de investidores em 22 países.

    Atuou como articulista do Informativo do INI, do Blog do INI, da revista Razão de Investir, da revista Investmais, do Jornal Corporativo e do site acionista.com.br. Foi fonte regular para assuntos de educação financeira de veículos como Conta Corrente (Globo News), Infomoney, Programa Sem Censura, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, entre outros.

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